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Automóvel: Leasing ou renting?

Publicado em 28-12-2016

O crédito bancário pode ser a opção mais procurada por quem quer comprar um automóvel e não tem condições para o pagar a pronto, mas não é a única. Duas das alternativas mais populares são o leasing e o renting e estão disponíveis tanto para particulares como para empresas, embora não sejam usadas na mesma medida nos dois segmentos.

A principal diferença entre estas duas modalidades e o crédito bancário está na posse do bem adquirido. No leasing e no renting a propriedade do bem está do lado da empresa com quem é feito o contrato (locadora). Só no fim desse período quem usa o serviço tem a possibilidade de passar o veículo para seu nome, uma desvantagem que é compensada por alguns benefícios com peso direto na carteira de quem investe num carro novo.

Por outras palavras, o leasing é uma forma de financiamento que sujeita quem o faz a uma renda fixa mensal durante um determinado período. É mais atrativo nas taxas e no valor da mensalidade apresentada que um crédito tradicional, uma vez que o valor total do veículo não é distribuído pelas mensalidades. Há uma parte (valor residual) que é empurrado para o final do contrato e que só será pago pelo cliente se este quiser adquirir o veiculo. Em regra os contratos prolongam-se até aos 48 meses, mas existem várias ofertas com prazos mais alargados.

O renting é um sistema de aluguer operacional que, além da utilização do veículo, dá acesso a um conjunto de serviços associados. Incluem-se nesse leque seguros, impostos, assistência em viagem ou contrato de manutenção, entre outros, deixando quem contrata livre de todas as obrigações e custos associados à exploração do veículo, para além dos encargos com combustível.

No fim do contrato, que normalmente varia entre os 12 e os 60 meses, o veículo também pode ser adquirido. Os contratos de renting automóvel, além do prazo, preveem um limite de quilómetros para o período contratado, pelo que é importante fazer uma estimativa realista da utilização para evitar custos extra.

Custos marcam a diferença

Na comparação entre estas duas modalidades – leasing e renting – as maiores diferenças estão nos custos que o particular, ou empresa, têm de suportar para além da mensalidade paga à locadora. No caso do leasing os custos com seguros (que terá de assegurar cobertura de danos próprios) e manutenção do veículo permanecem com quem contratou o serviço, ao contrário do que acontece no renting.

Manter mais ou menos preocupações associadas à gestão do veículo terá os seus impactos na renda a pagar ao final do mês e a análise entre opções deve ter isso mesmo em conta: é preferível ter uma mensalidade maior em troca de uma fatura única, sem surpresas, ou faz mais sentido escolher uma mensalidade mais baixa e gerir todas as questões que também ficariam do lado do cliente, caso recorresse a um vulgar crédito bancário?

Leasing e renting são duas alternativas ao crédito automóvel que têm vindo a crescer em Portugal, mas a segunda ainda continua a ser usada sobretudo por empresas, nomeadamente nas estruturas com maior número de colaboradores.

Um estudo da Leaseplan, que envolveu 75 gestores de frotas em 11 sectores de atividade, apurou recentemente que 95% das empresas apontam esta modalidade como opção para aumentar o parque automóvel da sua organização, 44% mencionam o leasing ou ALD (Aluguer de Longa Duração) e só 25% elegem a compra direta como preferencial.

Quatro anos é o prazo médio mais referido para a utilização dos veículos contratados num destes sistemas que, num contexto empresarial, se apresentam como soluções mais flexíveis que um crédito tradicional.

No caso do renting acresce o facto de não ser um empréstimo, deixando margem à empresa para usar esse tipo de recurso para outras necessidades. No que se refere ao impacto no balanço da empresa, vale a pena destacar que o renting não é contabilizado no imobilizado. Já a nível fiscal, este tipo de rendas são consideradas um custo de exercício, aspetos que também tendem a pesar na decisão das empresas.