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Vale a pena investir já num carro elétrico?

Publicado em 18-04-2018

Nos últimos anos, os carros elétricos passaram de uma promessa adiada para uma realidade cada vez mais fácil de encontrar nas estradas. Seguindo um pouco a tendência mundial, em Portugal as vendas têm aumentado de ano para ano e, em 2017, números da Associação Automóvel de Portugal indicam que foram matriculados 1.668 veículos com estas caraterísticas.

Entre as vantagens inegáveis desta alternativa contam-se ser mais amiga do ambiente do que a opção tradicional, porque não há emissões de CO2, e representar uma poupança significativa no dia a dia. Acabam-se as despesas com combustível e a manutenção do veículo também é incomparavelmente mais barata, já que um carro elétrico não precisa de mudar o óleo, filtros, etc.

Na aquisição, também há vantagens. Quem compra um carro elétrico não paga ISV (Imposto Sobre Veículos), nem IUC (Imposto Único de Circulação), ganha acesso ao selo verde da EMEL para estacionar em Lisboa sem pagar diariamente e pode carregar o carro gratuitamente na rede de postos Mobi.e (o que não dispensa a necessidade de ter condições para fazer o carregamento em casa, mas em mobilidade ajuda).

Ganha ainda direito a um incentivo do Estado de 2.250€, se chegar a tempo de garantir o apoio. É limitado a 1.000 veículos por ano, pelo que em 2017 só beneficiou dele quem comprou um carro elétrico até agosto.

Entre as desvantagens normalmente apontadas aos carros elétricos estão sobretudo a autonomia das baterias, o preço e as dificuldades associadas ao carregamento. Portugal começou a trabalhar cedo no tema, mas a rede Mobi.e tem pecado por falta de manutenção e atualização para tecnologia que acelere o período de carregamento de várias horas para uma ou meia hora. Os planos para compensar as falhas estão no terreno e este ano a rede ganha 202 novos postos de carregamento, ficando com um total de 1.600.

A expansão da rede de postos de carregamento rápido é o elemento-chave para contornar as limitações de autonomia dos carros elétricos, mas também neste ponto as propostas dos fabricantes têm evoluído significativamente. No mercado, vai encontrar propostas com uma autonomia entre os 200 e os 590 km, mais do que suficiente para as necessidades diárias e até para viagens um pouco maiores.

O preço continua, na verdade, a ser o grande travão para um crescimento mais acelerado do mercado de elétricos. As baterias, primeiro, e os metais usados na construção destes veículos, num segundo plano, impedem para já preços mais competitivos, embora também aqui a evolução seja significativa. Ainda assim, os preços dos carros elétricos variam hoje entre os 20 mil e os 200 mil euros.

Se achar que é cedo para considerar esta hipótese, é certo que daqui a alguns anos terá de fazê-lo e noutras condições. Muitas cidades estão a definir planos, alguns já têm até data anunciada, para restringir a circulação de veículos a gasóleo ou gasolina.

Nos próximos anos é também quase certo que os preços destes veículos baixem significativamente, a avaliar pelo ritmo de progressos dos últimos anos, no que se refere à autonomia das baterias. A oferta também aumentará de modo significativo, porque várias marcas estão a adotar estratégias agressivas neste domínio. Já a partir do próximo ano, a Volvo só fabricará carros elétricos ou híbridos. A BMW, até 2025, quer comercializar 25 novos modelos elétricos. A Ford planeia 40 veículos eletrificados até 2022, a Renault, 20, e por aí fora.

Faça as contas, avalie as necessidades reais de mobilidade e decida se, no seu caso concreto, o momento para avançar já chegou ou ainda está para chegar.