{"id":2511,"date":"2019-07-12T12:06:02","date_gmt":"2019-07-12T11:06:02","guid":{"rendered":"http:\/\/conteudos.xl.pt\/altri-news\/?p=2511"},"modified":"2022-11-03T19:19:47","modified_gmt":"2022-11-03T19:19:47","slug":"a-casa-de-camoes-esta-em-constancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/conteudos.xl.pt\/altri-news\/a-casa-de-camoes-esta-em-constancia\/","title":{"rendered":"A casa de Cam\u00f5es est\u00e1 em Const\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"uk-text-lead\"> A rela\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de Const\u00e2ncia com a figura do grande escritor portugu\u00eas \u00e9 inquestion\u00e1vel e genu\u00edna. A \u00e9poca quinhentista na qual viveu, est\u00e1 enraizada na identidade colectiva do concelho. <\/p>\n\n\n\n<p>Os pa\u00edses reconhecem e homenageiam os seus grandes escritores. \u00c9\numa afirma\u00e7\u00e3o cultural e de identidade. Se Espanha tem uma casa de Cervantes,\nse Inglaterra tem uma casa de Shakespeare, se It\u00e1lia tem uma casa de Dante,\nporque \u00e9 que Portugal n\u00e3o pode\nter uma casa de Cam\u00f5es? Para que Portugal a tenha, porque ela existe, \u00e9 preciso que a pequena Associa\u00e7\u00e3o\nCasa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es,\nque vive no pequeno munic\u00edpio de Const\u00e2ncia, com limitados recursos, tenha os\napoios devidos para dignificar o nome de Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es e a cultura\nportuguesa.<\/p>\n\n\n<figure class=\"uk-inline\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/conteudos\/uploads\/sites\/12\/2019\/07\/Uma-sala-da-casa-memoria-1-1920x1200.jpg\" alt=\"Ant\u00f3nio Matias Coelho, historiador e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es\"><figcaption class=\"uk-overlay uk-overlay-primary uk-position-bottom uk-padding-small\">Ant\u00f3nio Matias Coelho, historiador e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Cam\u00f5es \u00e9 um dos\npilares da identidade de Const\u00e2ncia, que se encontra ao mesmo n\u00edvel dos rios,\nda tradi\u00e7\u00e3o dos transportes fluviais ou da Senhora da Boa Viagem. As Pomonas\nCamonianas, que come\u00e7aram em 1994, s\u00e3o a maior express\u00e3o desse afecto. Entre os\ndias 9 e 11 de Junho, a vila recria o ambiente renascentista com figurantes\ntrajados a rigor.<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o de Const\u00e2ncia com Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es remonta a meados\ndo s\u00e9culo XVI, aos anos 1547\ne 1548, quando o escritor ter\u00e1 vivido na sua juventude na povoa\u00e7\u00e3o de Punhete,\nagora conhecida como vila e concelho de Const\u00e2ncia. Por esse motivo um grupo de\nentusiastas da obra do poeta decidiu criar a Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es para\nhomenagear a obra do maior autor portugu\u00eas de todos os tempos, a l\u00edngua e a cultura portuguesa.<\/p>\n\n\n<div class=\"galeria short uk-margin-medium-top uk-margin-medium-bottom\" uk-slideshow=\"ratio: 1920:1200\">\n<div class=\"uk-position-relative uk-visible-toggle uk-light\">\n<ul class=\"uk-slideshow-items\">\n<li>\n<div class=\"uk-position-cover uk-animation-kenburns uk-animation-reverse uk-transform-origin-center-left\">\n<img decoding=\"async\" id=\"3150\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/conteudos\/uploads\/sites\/12\/2019\/07\/Exterior-da-casa-3-1920x800.jpg\" alt=\"fachada do edif\u00edcio da Casa Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia\" data-uk-cover \/>\n<\/div>\n<div class=\"uk-overlay uk-overlay-primary uk-position-bottom uk-padding-small\">fachada do edif\u00edcio da Casa Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div class=\"uk-position-cover uk-animation-kenburns uk-animation-reverse uk-transform-origin-center-left\">\n<img decoding=\"async\" id=\" 3153\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/conteudos\/uploads\/sites\/12\/2019\/07\/Uma-sala-da-casa-memoria-2-1920x800.jpg\" alt=\"fachada do edif\u00edcio da Casa Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia\" data-uk-cover \/>\n<\/div>\n<div class=\"uk-overlay uk-overlay-primary uk-position-bottom uk-padding-small\">fachada do edif\u00edcio da Casa Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<a class=\"uk-position-center-left uk-position-small uk-hidden-hover\" href=\"#\" data-uk-slidenav-previous data-uk-slideshow-item=\"previous\"><\/a>\n<a class=\"uk-position-center-right uk-position-small uk-hidden-hover\" href=\"#\" data-uk-slidenav-next data-uk-slideshow-item=\"next\"><\/a>\n<\/div>\n<ul class=\"uk-slideshow-nav uk-dotnav uk-flex-center uk-margin\"><\/ul>\n<\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"uk-padding uk-padding-small uk-padding-remove-horizontal\"><div uk-grid class=\"uk-grid-small\"><div class=\"uk-width-auto\"><img decoding=\"async\" class=\"uk-svg\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/conteudos\/themes\/altri-news\/img\/chaveta-vertical-verde.svg\" alt=\"Separador\" \/><\/div><div class=\"uk-width-expand\"><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-bottom\">Um grupo de entusiastas da obra do poeta decidiu criar a Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es para homenagear a obra do maior autor portugu\u00eas de todos os tempos, a l\u00edngua e a cultura portuguesa<\/h3><\/div><\/blockquote>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe prova documental da presen\u00e7a de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia. A\nAssocia\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de\nCam\u00f5es sabe-o. Nem o afirma, nem o reivindica. O que sabe \u00e9 da exist\u00eancia de uma tradi\u00e7\u00e3o popular que chegou at\u00e9 aos tempos de hoje. \u201cSe o povo fala com\ntanta veem\u00eancia, alguma raz\u00e3o\nter\u00e1\u201d, diz Ant\u00f3nio\nMatias Coelho, historiador e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es. Essa\ntradi\u00e7\u00e3o est\u00e1\ndocumentada desde 1880, quando a C\u00e2mara Municipal reuniu para se associar \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es do terceiro centen\u00e1rio\nda morte de Cam\u00f5es, argumentando em acta que se associava \u00e0 efem\u00e9ride n\u00e3o apenas por concordar com os prop\u00f3sitos da iniciativa mas por se dizer\nque, segundo uma muito antiga tradi\u00e7\u00e3o, Cam\u00f5es ter\u00e1\nvivido nesta povoa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios estudiosos analisaram esta tradi\u00e7\u00e3o. No s\u00e9culo XIX, o visconde de Juromenha, um\nhistoriador especialista em Cam\u00f5es, estudou a veracidade da hist\u00f3ria e inclinou-se para o\nfacto de Cam\u00f5es ter vivido em Const\u00e2ncia. J\u00e1 no s\u00e9culo XX, duas\npessoas foram fundamentais para manter viva esta tradi\u00e7\u00e3o. A primeira foi um m\u00e9dico de Const\u00e2ncia que acreditou\nna tradi\u00e7\u00e3o popular e fez tudo o que estava ao seu alcance para credibilizar e\ndivulgar esta hist\u00f3ria.\nFez col\u00f3quios,\npublicou livros e organizou visitas a Const\u00e2ncia. Foi numa dessas visitas que\nconheceu Manuela de Azevedo, redactora do Di\u00e1rio de Lisboa. A primeira mulher\njornalista a ter carteira profissional em Portugal fez a cobertura da visita.\nAchou t\u00e3o interessante a hist\u00f3ria\ne a forma como a tradi\u00e7\u00e3o popular era vivida e transmitida pelas pessoas da\nvila que ganhou um grande carinho \u00e0s\npessoas, \u00e0 vila e \u00e0 hist\u00f3ria de Cam\u00f5es ter vivido em\nConst\u00e2ncia numa casa quinhentista junto ao rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os bens da associa\u00e7\u00e3o s\u00e3o \u00edcones da vila <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Manuela de Azevedo acabaria por dedicar metade da sua vida a esta\ncausa, fundando em 1977 a Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es. Em parte, gra\u00e7as aos\nseus contactos e influ\u00eancias,\na associa\u00e7\u00e3o conseguiu tr\u00eas\nbens patrimoniais, todos eles da melhor qualidade para a terra.<\/p>\n\n\n<div class=\"galeria short uk-margin-medium-top uk-margin-medium-bottom\" uk-slideshow=\"ratio: 1920:1200\">\n<div class=\"uk-position-relative uk-visible-toggle uk-light\">\n<ul class=\"uk-slideshow-items\">\n<li>\n<div class=\"uk-position-cover uk-animation-kenburns uk-animation-reverse uk-transform-origin-center-left\">\n<img decoding=\"async\" id=\"3159\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/conteudos\/uploads\/sites\/12\/2019\/07\/16265612-1322x800.jpg\" alt=\"A maior esfera armilar existente em Portugal, pesa meia tonelada, oferecida pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa\" data-uk-cover \/>\n<\/div>\n<div class=\"uk-overlay uk-overlay-primary uk-position-bottom uk-padding-small\">A maior esfera armilar existente em Portugal, pesa meia tonelada, oferecida pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div class=\"uk-position-cover uk-animation-kenburns uk-animation-reverse uk-transform-origin-center-left\">\n<img decoding=\"async\" id=\" 3162\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/conteudos\/uploads\/sites\/12\/2019\/07\/16265613-1920x800.jpg\" alt=\"O Jardim-Horto \u00e9 \u00fanico. \u00c9 um monumento vivo a Cam\u00f5es, uma homenagem ao escritor atrav\u00e9s das plantas que ele refere na sua obra\" data-uk-cover \/>\n<\/div>\n<div class=\"uk-overlay uk-overlay-primary uk-position-bottom uk-padding-small\">O Jardim-Horto \u00e9 \u00fanico. \u00c9 um monumento vivo a Cam\u00f5es, uma homenagem ao escritor atrav\u00e9s das plantas que ele refere na sua obra<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<a class=\"uk-position-center-left uk-position-small uk-hidden-hover\" href=\"#\" data-uk-slidenav-previous data-uk-slideshow-item=\"previous\"><\/a>\n<a class=\"uk-position-center-right uk-position-small uk-hidden-hover\" href=\"#\" data-uk-slidenav-next data-uk-slideshow-item=\"next\"><\/a>\n<\/div>\n<ul class=\"uk-slideshow-nav uk-dotnav uk-flex-center uk-margin\"><\/ul>\n<\/div>\n\n\n\n\n<p>O primeiro \u00e9 a obra escult\u00f3rica do\nmestre Lobo Henriques. A obra \u00e9 um\n\u00edcone da vila e o lugar mais visitado de Const\u00e2ncia. \u201cN\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que visite Const\u00e2ncia e que n\u00e3o se sente junto \u00e0 est\u00e1tua para tirar uma\nfotografia\u201d, diz Ant\u00f3nio\nMatias Coelho. <\/p>\n\n\n\n<p>O segundo bem patrimonial \u00e9 o Jardim-Horto de Cam\u00f5es, projectado pelo arquitecto paisagista\nGon\u00e7alo Ribeiro Telles. N\u00e3o se trata de um jardim ornamental. Mas uma forma\noriginal de homenagear Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es, atrav\u00e9s das plantas que refere na sua obra, tanto plantas mediterr\u00e2nicas\ncomo plantas ex\u00f3ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro e \u00faltimo bem patrimonial que Manuela de Azevedo deixou\n\u00e0 associa\u00e7\u00e3o foi o edif\u00edcio\nda Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es.\nTrata-se de uma constru\u00e7\u00e3o nova sobre as ru\u00ednas consolidadas da casa que a\ntradi\u00e7\u00e3o popular diz ter sido a casa de Cam\u00f5es. \u201cEssas ru\u00ednas foram muito\nafectadas pelo ciclone de 1941, n\u00e3o podiam ser recuperadas, pelo que se optou\npela consolida\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o\ncomo im\u00f3vel de\ninteresse p\u00fablico e a constru\u00e7\u00e3o de um edif\u00edcio novo, projectado pela Faculdade\nde Arquitectura de Lisboa\u201d, explica o historiador e presidente da associa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um edif\u00edcio de cinco andares, funcional, onde um dos\npisos \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o da casa\nquinhentista onde Cam\u00f5es ter\u00e1\nvivido. Dessa casa quinhentista, h\u00e1 documenta\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de ser do s\u00e9culo\nXVI, que demonstra a constru\u00e7\u00e3o de uma casa nesse local. H\u00e1 tamb\u00e9m um estudo feito pelo arquitecto Jorge Sobrado, em meados do s\u00e9culo passado, em que se atesta que\nos materiais e as t\u00e9cnicas de\nconstru\u00e7\u00e3o dessa casa s\u00e3o do per\u00edodo quinhentista. A Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria Cam\u00f5es n\u00e3o pretende enganar ou mal informar. \u201cN\u00e3o h\u00e1 provas documentais da viv\u00eancia de Cam\u00f5es nessa casa\u201d, conta o\nnosso interlocutor, o que afirmam com total certeza \u00e9 que \u201ca reconstru\u00e7\u00e3o no piso t\u00e9rreo\ndo edif\u00edcio Casa-Mem\u00f3ria \u00e9 de uma casa quinhentista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre esta casa quinhentista existe um novo edif\u00edcio, com\nin\u00fameras potencialidades, que poderia servir, n\u00e3o apenas a vila de Const\u00e2ncia,\nmas toda a regi\u00e3o do m\u00e9dio\nTejo e o Pa\u00eds, como a Casa\nde Cam\u00f5es que Portugal n\u00e3o tem. Ela existe, mas n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel nem acess\u00edvel por falta de apoios. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual o edif\u00edcio se encontra\nfechado ao p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que <\/strong><strong>\u00e9 necess\u00e1rio\npara abrir a Casa Cam\u00f5es ao p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o queremos enganar as pessoas. N\u00e3o queremos inserir em\nprospectos tur\u00edsticos uma Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es aberta ao p\u00fablico, onde o visitante entre e\nquando saia se sinta enganado, dizendo que malgastou o seu tempo e dinheiro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nio\nMatias Coelho diz que a associa\u00e7\u00e3o tem uma ideia muito precisa do que \u00e9 necess\u00e1rio para abrir este espa\u00e7o\nao p\u00fablico. Essa vis\u00e3o j\u00e1 foi transmitida ao Minist\u00e9rio da Cultura. Propuseram, para cada um\ndos cinco pisos existentes, a defini\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados que a casa deveria\ncomportar. Isso seria o ideal. A casa poderia abrir n\u00e3o com a totalidade desses\nconte\u00fados, mas com uma parte significativa. Para o nosso interlocutor seriam\nindispens\u00e1veis tr\u00eas aspectos.\nEm primeiro lugar, uma exposi\u00e7\u00e3o que aludisse a Cam\u00f5es, que falasse da vida, da\nobra e da rela\u00e7\u00e3o de Cam\u00f5es\ncom Const\u00e2ncia. A Associa\u00e7\u00e3o tem alguns objectos que podem ajudar a compor\nesses conte\u00fados, mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes. \u00c9 necess\u00e1rio fazer um projecto\nmuseogr\u00e1fico e fazer esses conte\u00fados. <\/p>\n\n\n<div class=\"galeria short uk-margin-medium-top uk-margin-medium-bottom\" uk-slideshow=\"ratio: 1920:1200\">\n<div class=\"uk-position-relative uk-visible-toggle uk-light\">\n<ul class=\"uk-slideshow-items\">\n<li>\n<div class=\"uk-position-cover uk-animation-kenburns uk-animation-reverse uk-transform-origin-center-left\">\n<img decoding=\"async\" id=\"3174\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/conteudos\/uploads\/sites\/12\/2019\/07\/16254321-1339x800.jpg\" alt=\"Gualter Vasco, director fabril da Caima, com Ant\u00f3nio Matias Coelho no pavilh\u00e3o de Macau existente no Jardim-Horto de Cam\u00f5es\" data-uk-cover \/>\n<\/div>\n<div class=\"uk-overlay uk-overlay-primary uk-position-bottom uk-padding-small\">Gualter Vasco, director fabril da Caima, com Ant\u00f3nio Matias Coelho no pavilh\u00e3o de Macau existente no Jardim-Horto de Cam\u00f5es<\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div class=\"uk-position-cover uk-animation-kenburns uk-animation-reverse uk-transform-origin-center-left\">\n<img decoding=\"async\" id=\" 3177\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/conteudos\/uploads\/sites\/12\/2019\/07\/16265578-1322x800.jpg\" alt=\"Obra escult\u00f3rica de Cam\u00f5es do mestre Lobo Henriques\" data-uk-cover \/>\n<\/div>\n<div class=\"uk-overlay uk-overlay-primary uk-position-bottom uk-padding-small\">Obra escult\u00f3rica de Cam\u00f5es do mestre Lobo Henriques<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<a class=\"uk-position-center-left uk-position-small uk-hidden-hover\" href=\"#\" data-uk-slidenav-previous data-uk-slideshow-item=\"previous\"><\/a>\n<a class=\"uk-position-center-right uk-position-small uk-hidden-hover\" href=\"#\" data-uk-slidenav-next data-uk-slideshow-item=\"next\"><\/a>\n<\/div>\n<ul class=\"uk-slideshow-nav uk-dotnav uk-flex-center uk-margin\"><\/ul>\n<\/div>\n\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso que uma parte da Casa-Mem\u00f3ria fosse dedicada \u00e0 eventual presen\u00e7a de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia. A casa deve\nter vida e ter quem a mantenha aberta, de uma forma qualificada. Seria\nnecess\u00e1rio contratar uma pessoa qualificada, com conhecimento e forma\u00e7\u00e3o para\nfazer uma visita guiada ao espa\u00e7o e explicar o seu conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra poss\u00edvel\nabrir as portas desta casa com umas quantas coisas penduradas na parede, mas\nestar\u00edamos a perder uma oportunidade \u00fanica de homenagear e promover a vida e a\nobra de Cam\u00f5es e de Portugal na \u00e9poca\nquinhentista e, ao mesmo tempo, estar\u00edamos a enganar as pessoas\u201d, sublinha Ant\u00f3nio Matias Coelho. O\npresidente da associa\u00e7\u00e3o acredita que esta casa possui todas as condi\u00e7\u00f5es para\nter uma dimens\u00e3o nacional. Para ele, se fizessem uma coisa qualquer, de menor\ndimens\u00e3o, estariam a queimar etapas e a n\u00e3o fazer o trabalho adequado.<\/p>\n\n\n\n<p>A direc\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o procura trabalhar em todas as frentes,\nlocal, regional e nacional. Sabe que \u00e9 preciso ganhar a confian\u00e7a das pessoas e das institui\u00e7\u00f5es e, para\nisso, \u00e9 preciso mostrar\ntrabalho feito. Isso \u00e9 o que\ntem feito a Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es, desdobrando-se em actividades na Casa-Mem\u00f3ria e no jardim-horto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Poucos associados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A associa\u00e7\u00e3o \u00e9 pequena,\npossui um n\u00famero reduzido de associados, e o munic\u00edpio est\u00e1 muito limitado\nfinanceiramente na capacidade de ajudar a Casa Mem\u00f3ria-Cam\u00f5es. Todos os anos, desde que\na direc\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o tomou posse, em Abril de 2016, que a Caima apoia a\nAssocia\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de\nCam\u00f5es. \u201cSem estes apoios n\u00e3o seria poss\u00edvel fazer algumas das\ninterven\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para continuar a dignificar o maior escritor da\nliteratura portuguesa de todos os tempos\u201d, assume Ant\u00f3nio Matias Coelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Os patroc\u00ednios da Caima foram canalizados para a realiza\u00e7\u00e3o de\nobras no Jardim-Horto, que consistiram na substitui\u00e7\u00e3o do piso, que se\nencontrava muito degradado, por cal\u00e7ada portuguesa. Essas verbas serviram para\ndar a margem necess\u00e1ria para poder contratar uma empresa de arquitectura\npaisagista, especializada em jardins. \u201cPela primeira vez, em 30 anos, os\njardins levaram terra nova. Esses terrenos n\u00e3o eram fertilizados h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas. H\u00e1 trabalho de\njardinagem fundamental a ser desenvolvido porque n\u00e3o h\u00e1 jardim sem plantas ou flores.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jardim <\/strong><strong>\u00e9 <\/strong><strong>monumento vivo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Jardim-Horto \u00e9 \u00fanico.\n\u00c9 um monumento vivo a Cam\u00f5es, uma homenagem ao escritor atrav\u00e9s das plantas que ele refere na\nsua obra. Uma visita a este espa\u00e7o permite fazer uma viagem atrav\u00e9s das plantas, como se fosse guiado pela\nm\u00e3o das plantas desde o Mediterr\u00e2neo\nat\u00e9 ao Oriente,\ntirando as esp\u00e9cies vegetais\nque n\u00e3o resistem ao nosso clima, que n\u00e3o s\u00e3o muitas. H\u00e1 mais de 50 esp\u00e9cies referidas por Cam\u00f5es na sua\nobra, desde a oliveira, o loureiro ou a vinha, at\u00e9 plantas mais ex\u00f3ticas do continente africano e do\nasi\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Gon\u00e7alo Ribeiro Telles desenhou o jardim e o pavilh\u00e3o de Macau,\nque na altura da sua constru\u00e7\u00e3o contou com o apoio do governo de Macau, \u00e0 \u00e9poca ainda sob administra\u00e7\u00e3o\nportuguesa. Este espa\u00e7o \u00e9 uma\nevoca\u00e7\u00e3o do universo do Extremo Oriente, da China. Evoca um pagode chin\u00eas, que est\u00e1 enquadrado por um conjunto\nde muretes, em forma ondulada, que representam simbolicamente o drag\u00e3o chin\u00eas. <\/p>\n\n\n\n<p>O jardim possui um planet\u00e1rio ao ar livre, com um pequeno anfiteatro com \u00f3ptimas condi\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas. Est\u00e1 l\u00e1 tamb\u00e9m a maior esfera armilar existente em Portugal, pesa meia tonelada, oferecida pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, para assinalar os 500 anos dos descobrimentos portugueses e a universalidade da l\u00edngua e da cultura portuguesa. \u00c9 o conjunto destes elementos que fazem do Jardim-Horto um lugar \u00fanico a ser visitado. \u201cO apoio da Caima \u00e9 fundamental para a associa\u00e7\u00e3o. Existe uma rela\u00e7\u00e3o fraterna. N\u00e3o se trata apenas, nem somente, de alguma rela\u00e7\u00e3o de quem precisa e de quem pode. \u00c9 muito mais do que isto. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o que se estabeleceu entre a empresa e a direc\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o\u201d, conclui Ant\u00f3nio Matias Coelho.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n\n\n<figure class=\"uk-inline\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/conteudos\/uploads\/sites\/12\/2019\/07\/CAIXA-CASA-Mem\u00f3ria-Evento-1856x1200.jpg\" alt=\"\"><\/figure>\n\n\n<div class=\"uk-card section-eco uk-card-body uk-margin-medium-top\"><p>  Uma parte do trabalho de investiga\u00e7\u00e3o desenvolvido pelos arque\u00f3logos industriais Jorge Cust\u00f3dio, Sofia Costa Macedo e Susana Pacheco, sobre os 130 anos da Caima, resultou na exposi\u00e7\u00e3o 130 anos da Caima \u2013 De Albergaria a Const\u00e2ncia \u2013 Portugal na ind\u00fastria da Pasta de Papel. A exposi\u00e7\u00e3o esteve aberta ao p\u00fablico na Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es, desde 16 de Novembro at\u00e9 ao passado dia 19 de Maio.  <\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>The warmth with which the population of Const\u00e2ncia regards the great Portuguese writer is tangible and genuine. The sixteenth century in which he lived is still very much in evidence in the collective identity of the borough. <\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3132,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_pt_post_content":"<!-- wp:paragraph -->\n<p><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>[lead] A rela\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de Const\u00e2ncia com a figura do grande escritor portugu\u00eas \u00e9 inquestion\u00e1vel e genu\u00edna. A \u00e9poca quinhentista na qual viveu, est\u00e1 enraizada na identidade colectiva do concelho. [\/lead]<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Os pa\u00edses reconhecem e homenageiam os seus grandes escritores. \u00c9\numa afirma\u00e7\u00e3o cultural e de identidade. Se Espanha tem uma casa de Cervantes,\nse Inglaterra tem uma casa de Shakespeare, se It\u00e1lia tem uma casa de Dante,\nporque \u00e9 que Portugal n\u00e3o pode\nter uma casa de Cam\u00f5es? Para que Portugal a tenha, porque ela existe, \u00e9 preciso que a pequena Associa\u00e7\u00e3o\nCasa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es,\nque vive no pequeno munic\u00edpio de Const\u00e2ncia, com limitados recursos, tenha os\napoios devidos para dignificar o nome de Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es e a cultura\nportuguesa.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[image format=\"img-header-large\" id=\"3141\"]\n<!-- \/wp:shortcode -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Cam\u00f5es \u00e9 um dos\npilares da identidade de Const\u00e2ncia, que se encontra ao mesmo n\u00edvel dos rios,\nda tradi\u00e7\u00e3o dos transportes fluviais ou da Senhora da Boa Viagem. As Pomonas\nCamonianas, que come\u00e7aram em 1994, s\u00e3o a maior express\u00e3o desse afecto. Entre os\ndias 9 e 11 de Junho, a vila recria o ambiente renascentista com figurantes\ntrajados a rigor.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A rela\u00e7\u00e3o de Const\u00e2ncia com Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es remonta a meados\ndo s\u00e9culo XVI, aos anos 1547\ne 1548, quando o escritor ter\u00e1 vivido na sua juventude na povoa\u00e7\u00e3o de Punhete,\nagora conhecida como vila e concelho de Const\u00e2ncia. Por esse motivo um grupo de\nentusiastas da obra do poeta decidiu criar a Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es para\nhomenagear a obra do maior autor portugu\u00eas de todos os tempos, a l\u00edngua e a cultura portuguesa.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[gallery format=\"short\" ratio=\"3:2\" ids=\"3150, 3153\"]\n<!-- \/wp:shortcode -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[blockquote text=\"Um grupo de entusiastas da obra do poeta decidiu criar a Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es para homenagear a obra do maior autor portugu\u00eas de todos os tempos, a l\u00edngua e a cultura portuguesa\"  ]\n<!-- \/wp:shortcode -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>N\u00e3o existe prova documental da presen\u00e7a de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia. A\nAssocia\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de\nCam\u00f5es sabe-o. Nem o afirma, nem o reivindica. O que sabe \u00e9 da exist\u00eancia de uma tradi\u00e7\u00e3o popular que chegou at\u00e9 aos tempos de hoje. \u201cSe o povo fala com\ntanta veem\u00eancia, alguma raz\u00e3o\nter\u00e1\u201d, diz Ant\u00f3nio\nMatias Coelho, historiador e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es. Essa\ntradi\u00e7\u00e3o est\u00e1\ndocumentada desde 1880, quando a C\u00e2mara Municipal reuniu para se associar \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es do terceiro centen\u00e1rio\nda morte de Cam\u00f5es, argumentando em acta que se associava \u00e0 efem\u00e9ride n\u00e3o apenas por concordar com os prop\u00f3sitos da iniciativa mas por se dizer\nque, segundo uma muito antiga tradi\u00e7\u00e3o, Cam\u00f5es ter\u00e1\nvivido nesta povoa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>V\u00e1rios estudiosos analisaram esta tradi\u00e7\u00e3o. No s\u00e9culo XIX, o visconde de Juromenha, um\nhistoriador especialista em Cam\u00f5es, estudou a veracidade da hist\u00f3ria e inclinou-se para o\nfacto de Cam\u00f5es ter vivido em Const\u00e2ncia. J\u00e1 no s\u00e9culo XX, duas\npessoas foram fundamentais para manter viva esta tradi\u00e7\u00e3o. A primeira foi um m\u00e9dico de Const\u00e2ncia que acreditou\nna tradi\u00e7\u00e3o popular e fez tudo o que estava ao seu alcance para credibilizar e\ndivulgar esta hist\u00f3ria.\nFez col\u00f3quios,\npublicou livros e organizou visitas a Const\u00e2ncia. Foi numa dessas visitas que\nconheceu Manuela de Azevedo, redactora do Di\u00e1rio de Lisboa. A primeira mulher\njornalista a ter carteira profissional em Portugal fez a cobertura da visita.\nAchou t\u00e3o interessante a hist\u00f3ria\ne a forma como a tradi\u00e7\u00e3o popular era vivida e transmitida pelas pessoas da\nvila que ganhou um grande carinho \u00e0s\npessoas, \u00e0 vila e \u00e0 hist\u00f3ria de Cam\u00f5es ter vivido em\nConst\u00e2ncia numa casa quinhentista junto ao rio.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>Os bens da associa\u00e7\u00e3o s\u00e3o \u00edcones da vila <\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Manuela de Azevedo acabaria por dedicar metade da sua vida a esta\ncausa, fundando em 1977 a Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es. Em parte, gra\u00e7as aos\nseus contactos e influ\u00eancias,\na associa\u00e7\u00e3o conseguiu tr\u00eas\nbens patrimoniais, todos eles da melhor qualidade para a terra.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[gallery format=\"short\" ratio=\"3:2\" ids=\"3159, 3162\"]\n<!-- \/wp:shortcode -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>O primeiro \u00e9 a obra escult\u00f3rica do\nmestre Lobo Henriques. A obra \u00e9 um\n\u00edcone da vila e o lugar mais visitado de Const\u00e2ncia. \u201cN\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que visite Const\u00e2ncia e que n\u00e3o se sente junto \u00e0 est\u00e1tua para tirar uma\nfotografia\u201d, diz Ant\u00f3nio\nMatias Coelho. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>O segundo bem patrimonial \u00e9 o Jardim-Horto de Cam\u00f5es, projectado pelo arquitecto paisagista\nGon\u00e7alo Ribeiro Telles. N\u00e3o se trata de um jardim ornamental. Mas uma forma\noriginal de homenagear Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es, atrav\u00e9s das plantas que refere na sua obra, tanto plantas mediterr\u00e2nicas\ncomo plantas ex\u00f3ticas.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>O terceiro e \u00faltimo bem patrimonial que Manuela de Azevedo deixou\n\u00e0 associa\u00e7\u00e3o foi o edif\u00edcio\nda Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es.\nTrata-se de uma constru\u00e7\u00e3o nova sobre as ru\u00ednas consolidadas da casa que a\ntradi\u00e7\u00e3o popular diz ter sido a casa de Cam\u00f5es. \u201cEssas ru\u00ednas foram muito\nafectadas pelo ciclone de 1941, n\u00e3o podiam ser recuperadas, pelo que se optou\npela consolida\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o\ncomo im\u00f3vel de\ninteresse p\u00fablico e a constru\u00e7\u00e3o de um edif\u00edcio novo, projectado pela Faculdade\nde Arquitectura de Lisboa\u201d, explica o historiador e presidente da associa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Trata-se de um edif\u00edcio de cinco andares, funcional, onde um dos\npisos \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o da casa\nquinhentista onde Cam\u00f5es ter\u00e1\nvivido. Dessa casa quinhentista, h\u00e1 documenta\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de ser do s\u00e9culo\nXVI, que demonstra a constru\u00e7\u00e3o de uma casa nesse local. H\u00e1 tamb\u00e9m um estudo feito pelo arquitecto Jorge Sobrado, em meados do s\u00e9culo passado, em que se atesta que\nos materiais e as t\u00e9cnicas de\nconstru\u00e7\u00e3o dessa casa s\u00e3o do per\u00edodo quinhentista. A Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria Cam\u00f5es n\u00e3o pretende enganar ou mal informar. \u201cN\u00e3o h\u00e1 provas documentais da viv\u00eancia de Cam\u00f5es nessa casa\u201d, conta o\nnosso interlocutor, o que afirmam com total certeza \u00e9 que \u201ca reconstru\u00e7\u00e3o no piso t\u00e9rreo\ndo edif\u00edcio Casa-Mem\u00f3ria \u00e9 de uma casa quinhentista\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Sobre esta casa quinhentista existe um novo edif\u00edcio, com\nin\u00fameras potencialidades, que poderia servir, n\u00e3o apenas a vila de Const\u00e2ncia,\nmas toda a regi\u00e3o do m\u00e9dio\nTejo e o Pa\u00eds, como a Casa\nde Cam\u00f5es que Portugal n\u00e3o tem. Ela existe, mas n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel nem acess\u00edvel por falta de apoios. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual o edif\u00edcio se encontra\nfechado ao p\u00fablico.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>O que <\/strong><strong>\u00e9 necess\u00e1rio\npara abrir a Casa Cam\u00f5es ao p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cN\u00e3o queremos enganar as pessoas. N\u00e3o queremos inserir em\nprospectos tur\u00edsticos uma Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es aberta ao p\u00fablico, onde o visitante entre e\nquando saia se sinta enganado, dizendo que malgastou o seu tempo e dinheiro.\u201d<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Ant\u00f3nio\nMatias Coelho diz que a associa\u00e7\u00e3o tem uma ideia muito precisa do que \u00e9 necess\u00e1rio para abrir este espa\u00e7o\nao p\u00fablico. Essa vis\u00e3o j\u00e1 foi transmitida ao Minist\u00e9rio da Cultura. Propuseram, para cada um\ndos cinco pisos existentes, a defini\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados que a casa deveria\ncomportar. Isso seria o ideal. A casa poderia abrir n\u00e3o com a totalidade desses\nconte\u00fados, mas com uma parte significativa. Para o nosso interlocutor seriam\nindispens\u00e1veis tr\u00eas aspectos.\nEm primeiro lugar, uma exposi\u00e7\u00e3o que aludisse a Cam\u00f5es, que falasse da vida, da\nobra e da rela\u00e7\u00e3o de Cam\u00f5es\ncom Const\u00e2ncia. A Associa\u00e7\u00e3o tem alguns objectos que podem ajudar a compor\nesses conte\u00fados, mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes. \u00c9 necess\u00e1rio fazer um projecto\nmuseogr\u00e1fico e fazer esses conte\u00fados. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[gallery format=\"short\" ratio=\"3:2\" ids=\"3174, 3177\"]\n<!-- \/wp:shortcode -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u00c9 preciso que uma parte da Casa-Mem\u00f3ria fosse dedicada \u00e0 eventual presen\u00e7a de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia. A casa deve\nter vida e ter quem a mantenha aberta, de uma forma qualificada. Seria\nnecess\u00e1rio contratar uma pessoa qualificada, com conhecimento e forma\u00e7\u00e3o para\nfazer uma visita guiada ao espa\u00e7o e explicar o seu conte\u00fado.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cEra poss\u00edvel\nabrir as portas desta casa com umas quantas coisas penduradas na parede, mas\nestar\u00edamos a perder uma oportunidade \u00fanica de homenagear e promover a vida e a\nobra de Cam\u00f5es e de Portugal na \u00e9poca\nquinhentista e, ao mesmo tempo, estar\u00edamos a enganar as pessoas\u201d, sublinha Ant\u00f3nio Matias Coelho. O\npresidente da associa\u00e7\u00e3o acredita que esta casa possui todas as condi\u00e7\u00f5es para\nter uma dimens\u00e3o nacional. Para ele, se fizessem uma coisa qualquer, de menor\ndimens\u00e3o, estariam a queimar etapas e a n\u00e3o fazer o trabalho adequado.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A direc\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o procura trabalhar em todas as frentes,\nlocal, regional e nacional. Sabe que \u00e9 preciso ganhar a confian\u00e7a das pessoas e das institui\u00e7\u00f5es e, para\nisso, \u00e9 preciso mostrar\ntrabalho feito. Isso \u00e9 o que\ntem feito a Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es, desdobrando-se em actividades na Casa-Mem\u00f3ria e no jardim-horto.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>Poucos associados<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>A associa\u00e7\u00e3o \u00e9 pequena,\npossui um n\u00famero reduzido de associados, e o munic\u00edpio est\u00e1 muito limitado\nfinanceiramente na capacidade de ajudar a Casa Mem\u00f3ria-Cam\u00f5es. Todos os anos, desde que\na direc\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o tomou posse, em Abril de 2016, que a Caima apoia a\nAssocia\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de\nCam\u00f5es. \u201cSem estes apoios n\u00e3o seria poss\u00edvel fazer algumas das\ninterven\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para continuar a dignificar o maior escritor da\nliteratura portuguesa de todos os tempos\u201d, assume Ant\u00f3nio Matias Coelho.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Os patroc\u00ednios da Caima foram canalizados para a realiza\u00e7\u00e3o de\nobras no Jardim-Horto, que consistiram na substitui\u00e7\u00e3o do piso, que se\nencontrava muito degradado, por cal\u00e7ada portuguesa. Essas verbas serviram para\ndar a margem necess\u00e1ria para poder contratar uma empresa de arquitectura\npaisagista, especializada em jardins. \u201cPela primeira vez, em 30 anos, os\njardins levaram terra nova. Esses terrenos n\u00e3o eram fertilizados h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas. H\u00e1 trabalho de\njardinagem fundamental a ser desenvolvido porque n\u00e3o h\u00e1 jardim sem plantas ou flores.\u201d<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>Jardim <\/strong><strong>\u00e9 <\/strong><strong>monumento vivo<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>O Jardim-Horto \u00e9 \u00fanico.\n\u00c9 um monumento vivo a Cam\u00f5es, uma homenagem ao escritor atrav\u00e9s das plantas que ele refere na\nsua obra. Uma visita a este espa\u00e7o permite fazer uma viagem atrav\u00e9s das plantas, como se fosse guiado pela\nm\u00e3o das plantas desde o Mediterr\u00e2neo\nat\u00e9 ao Oriente,\ntirando as esp\u00e9cies vegetais\nque n\u00e3o resistem ao nosso clima, que n\u00e3o s\u00e3o muitas. H\u00e1 mais de 50 esp\u00e9cies referidas por Cam\u00f5es na sua\nobra, desde a oliveira, o loureiro ou a vinha, at\u00e9 plantas mais ex\u00f3ticas do continente africano e do\nasi\u00e1tico.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Gon\u00e7alo Ribeiro Telles desenhou o jardim e o pavilh\u00e3o de Macau,\nque na altura da sua constru\u00e7\u00e3o contou com o apoio do governo de Macau, \u00e0 \u00e9poca ainda sob administra\u00e7\u00e3o\nportuguesa. Este espa\u00e7o \u00e9 uma\nevoca\u00e7\u00e3o do universo do Extremo Oriente, da China. Evoca um pagode chin\u00eas, que est\u00e1 enquadrado por um conjunto\nde muretes, em forma ondulada, que representam simbolicamente o drag\u00e3o chin\u00eas. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>O jardim possui um planet\u00e1rio ao ar livre, com um pequeno anfiteatro com \u00f3ptimas condi\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas. Est\u00e1 l\u00e1 tamb\u00e9m a maior esfera armilar existente em Portugal, pesa meia tonelada, oferecida pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, para assinalar os 500 anos dos descobrimentos portugueses e a universalidade da l\u00edngua e da cultura portuguesa. \u00c9 o conjunto destes elementos que fazem do Jardim-Horto um lugar \u00fanico a ser visitado. \u201cO apoio da Caima \u00e9 fundamental para a associa\u00e7\u00e3o. Existe uma rela\u00e7\u00e3o fraterna. N\u00e3o se trata apenas, nem somente, de alguma rela\u00e7\u00e3o de quem precisa e de quem pode. \u00c9 muito mais do que isto. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o que se estabeleceu entre a empresa e a direc\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o\u201d, conclui Ant\u00f3nio Matias Coelho.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[image format=\"img-header-large\" id=\"3189\"]\n<!-- \/wp:shortcode -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[card type=\"normal\"]  Uma parte do trabalho de investiga\u00e7\u00e3o desenvolvido pelos arque\u00f3logos industriais Jorge Cust\u00f3dio, Sofia Costa Macedo e Susana Pacheco, sobre os 130 anos da Caima, resultou na exposi\u00e7\u00e3o 130 anos da Caima \u2013 De Albergaria a Const\u00e2ncia \u2013 Portugal na ind\u00fastria da Pasta de Papel. A exposi\u00e7\u00e3o esteve aberta ao p\u00fablico na Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es, desde 16 de Novembro at\u00e9 ao passado dia 19 de Maio.  [\/card]\n<!-- \/wp:shortcode -->","_pt_post_name":"a-casa-de-camoes-esta-em-constancia","_pt_post_excerpt":"The warmth with which the population of Const\u00e2ncia regards the great Portuguese writer is tangible and genuine. The sixteenth century in which he lived is still very much in evidence in the collective identity of the borough. ","_pt_post_title":"A casa de Cam\u00f5es est\u00e1 em Const\u00e2ncia","_en_post_content":"<!-- wp:paragraph -->\n<p>[lead] The warmth with which the population of Const\u00e2ncia regards the great Portuguese writer is tangible and genuine. The sixteenth century in which he lived is still very much in evidence in the collective identity of the borough. [\/lead]<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>All countries\nacknowledge and celebrate their great writers. It\u2019s an affirmation of their\nculture and identity. If Spain has a house that belonged to Cervantes, England\nhas Shakespeare\u2019s home in Stratford-upon-Avon, and Italy has Dante\u2019s house,\nthen why can\u2019t Portugal have a house that was home to Cam\u00f5es? In order for this\nto happen in Portugal \u2013 because such a house does exist \u2013 the small association\n(Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es) which is located in the municipality of\nConst\u00e2ncia, needs to have its limited resources boosted so it can pay homage as\nbefitting a writer of the magnitude of Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[image format=\"img-header-large\" id=\"3141\"]\n<!-- \/wp:shortcode -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Cam\u00f5es is one of\nthe pillars of Const\u00e2ncia\u2019s identity, held in as high esteem as the rivers, the\ntradition of river transport and the residents\u2019 devotion to Senhora da Boa\nViagem. The Pomonas Camonianas festivities, which began in 1994, are the\ngreatest expression of this affection. From the 9th to the 11th June, the\nvillage recreates life during the Renaissance, with people dressed in period\ncostumes.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Const\u00e2ncia\u2019s\nrelationship with Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es dates back to the mid-16th Century, to\n1547 and 1548, when he spent his youth in the village of Punhete, now known as\nthe town and borough of Const\u00e2ncia. A group of fans of the poet\u2019s works seized\non this link as a basis to form the Cam\u00f5es House Museum Association (Associa\u00e7\u00e3o\nCasa--Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es) to honour the works of Portugal\u2019s greatest ever\nwriter, its language and its culture. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[gallery format=\"short\" ratio=\"3:2\" ids=\"3150, 3153\"]\n<!-- \/wp:shortcode -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[blockquote text=\"A group of fans of the poet\u2019s works seized on this link as a basis to form the Cam\u00f5es House Museum Association to honour the works of Portugal\u2019s greatest ever writer, its language and its culture\"]\n<!-- \/wp:shortcode -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>There is no\ndocumentary evidence to prove that Cam\u00f5es was ever in Const\u00e2ncia. The Cam\u00f5es\nHouse Museum Association is well aware of this. They neither confirm nor deny\nit. What they do know is that there is a popular tradition which still lives on\ntoday. According to Ant\u00f3nio Matias Coelho, an historian and chairman of the\nCam\u00f5es House Museum Association, \u201cIf the residents are so passionate about it,\nthen there must be a reason for that\u201d. This tradition has been documented since\n1880, when the Municipal Council held a meeting to join the celebrations of the\nthird centenary of Cam\u00f5es\u2019s death. The minutes of the meeting state that they\nwanted to join the commemorations not only because they agreed with the aims of\nthe initiative but because it was said that, according to an ancient tradition,\nCam\u00f5es had lived in the village. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Several scholars\nhave delved deeper into this tradition. In the 19th Century the viscount of\nJuromenha, who was an historian specialising in Cam\u00f5es, studied the veracity of\nthe claims and was inclined to believe that Cam\u00f5es had indeed lived in Const\u00e2ncia.\nIn the 20th Century, two people played a crucial role in keeping the tradition\nalive. The first was a doctor from Const\u00e2ncia who believed the popular\ntradition and did everything he could to add credence to and disseminate the\nstory. He gave talks, published books and arranged visits to Const\u00e2ncia. It was\non one of those visits that he met Manuela de Azevedo, a copywriter for the Di\u00e1rio\nde Lisboa newspaper. She was the first female journalist to be granted a press\npass in Portugal, and she covered the story of her trip. She was so enamoured\nwith the story and the way in which the popular tradition was celebrated and\nportrayed by the locals that she became very fond of them, the town and the\nstory of how Cam\u00f5es had lived in Const\u00e2ncia in a sixteenth-century house by the\nriver.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>The property\nowned by the association are landmarks in the town <\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Manuela de\nAzevedo would end up dedicating half her life to this cause, and in 1977 she\nfounded the Cam\u00f5es House Museum Association. Thanks in part to her contacts and\ninfluences, the association was able to acquire three assets, all of them of\nperfect for the town. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[gallery format=\"short\" ratio=\"3:2\" ids=\"3159, 3162\"]\n<!-- \/wp:shortcode -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>The first is the\nsculptural work by the artist Lagoa Henriques. The sculpture is a landmark in\nthe town, and is the most visited place in Const\u00e2ncia. Ant\u00f3nio Matias Coelho\ntells us, \u201cnobody comes to Const\u00e2ncia without sitting by the statue for a\nphotograph\u201d. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>The second\nproperty is the Cam\u00f5es Garden, designed by landscape artist Gon\u00e7alo Ribeiro\nTelles. It\u2019s not an ornamental garden, but rather an original way of paying\nhomage to Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es through the Mediterranean and exotic plants\nmentioned in his works. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>The final asset\nwhich Manuela de Azevedo left for the association is the Cam\u00f5es House Museum\nbuilding, which is a new construction built on the ruins of the house said to\nhave been where Cam\u00f5es lived. The association\u2019s chairman and historian\nexplains: \u201cThose ruins were greatly affected by the cyclone of 1941 and couldn\u2019t\nbe recuperated, so it was decided that they should be stabilised and classified\nas a site of public interest and a new building erected, designed by the Lisbon\nfaculty of architecture.\u201d <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>It\u2019s a\nfunctional, five-storey building, in which one of the storeys is the preserved\nsixteenth Century house where Cam\u00f5es lived. There is hard documentary proof of\nthis sixteenth Century house, which shows that a house was built on that site.\nFurthermore, a study was undertaken by the architect Jorge Sobrado in the\nmiddle of the last century, which confirms that the construction techniques and\nmaterials used in this house date back to the sixteenth century. It is not the aim\nof the Cam\u00f5es House Museum Association to deceive or misinform. Coelho tells\nus: \u201cThere are no documents to prove that Cam\u00f5es lived in this house, but what\nthey do prove beyond doubt is that the reconstruction on the ground floor of\nthe House Museum building is of a sixteenth century house.\u201d <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Above this\nancient house rises a new building, full of potential, which may serve not just\nthe town of Const\u00e2ncia but the whole mid-Tejo region and the entire country, as\nthe Cam\u00f5es House that Portugal doesn\u2019t yet have. It does exist, but it\u2019s\nneither available nor accessible because of a lack of funds. This is why it is\nnot open to the public. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>What would\nallow the Cam\u00f5es House to be opened to the public?<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u201cWe don\u2019t want\nto mislead people. We don\u2019t want tourist guides to feature a Cam\u00f5es House\nMuseum which is open to the public, but where visitors will feel cheated and\nangry that they wasted their time and money.\u201d<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Ant\u00f3nio Matias Coelho says that the association has a very precise idea of what\u2019s required in order for this space to be able to throw its doors open to the public. This vision has already been conveyed to the Ministry of Culture. They submitted a storey-by-storey proposal of the content they would like to see in the house. That would be the best-case scenario. The house would be able to open perhaps not with the entire contents, but with a significant portion. According to Coelho, there would be three crucial aspects. Firstly, an exhibition on the subject of Cam\u00f5es, addressing his life, his works and his relationship with Const\u00e2ncia. The Association owns a few objects which could help to create this content, but they are not enough. A museum project needs to be drawn up and contents produced. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[gallery format=\"short\" ratio=\"3:2\" ids=\"3174, 3177\"]\n<!-- \/wp:shortcode -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Part of the\nHouse Museum would have to be dedicated to Cam\u00f5es\u2019s presence in Const\u00e2ncia. The\nhouse should be a living monument, and it would need someone to keep it\nopen.&nbsp; A qualified guide, with knowledge\nand training, would have to be hired to provide guided tours of the space and\nto explain its contents. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>According to Ant\u00f3nio\nMatias Coelho \u201cWe\u2019d be able to open the doors to this\nhouse with a few bits and pieces displayed on the wall, but we\u2019d be missing a\nunique opportunity to pay homage to and promote the life and works of Cam\u00f5es\nand of Portugal in the sixteenth century, and at the same time, we would be\nshort-changing visitors\u201d. He believes that this house is good enough to be a\nnationwide attraction. His view is that if the association cobbles the display\ntogether, on a smaller scale, then they would be jumping ahead of themselves\nand not doing justice to the idea. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>The association\u2019s\nboard seeks a three-pronged approach \u2013 local, regional and national. They know\nthey need to gain institutions\u2019 and people\u2019s trust, and they need to show they\u2019ve\ndone their homework. The Cam\u00f5es House Museum Association has been doing just\nthat, focusing on activities at the House and at the Garden.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>Small\nmembership <\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>It\u2019s a small\nassociation with just a few members, and the municipality is too financially\nconstrained to help the Cam\u00f5es House Museum. Every year, since the Association\u2019s\nboard took office in April 2016, Caima has been supporting the Cam\u00f5es House\nMuseum Association. Says Coelho: \u201cWithout this support we wouldn\u2019t be able to\nperform many of our activities needed to celebrate Portuguese literature\u2019s\ngreatest ever writer.\u201d<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Caima\u2019s\nsponsorship has been channelled into construction work at the Garden. This work\nconsisted of replacing the ground surface \u2013 which was in very poor condition \u2013 with\nPortuguese paving. These funds provided the necessary margin to be able to hire\nan architectural landscaping firm, specialising in gardens. \u201cNew soil was put\ndown in the gardens for the first time in 30 years. The land hadn\u2019t been\nfertilised for three decades. There is vital gardening work being done because\nyou can\u2019t have a garden without plants or flowers.\u201d<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><strong>The garden is\na living monument<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>The Garden is\nunique. It\u2019s a living monument to Cam\u00f5es, it pays homage to the writer through\nthe plants he refers to in his works. A trip to this space entails going on a\njourney through the plants, as if guided by hand by the plants themselves from\nthe Mediterranean all the way to the Orient. The few plants not included are\nthose which are unable to withstand Portugal\u2019s climate. Cam\u00f5es mentions over\nfifty species in his works, from the olive tree, laurel and vine, to more\nexotic plants from Africa and Asia. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Gon\u00e7alo Ribeiro\nTelles designed the Macau pavilion and garden. The construction was financed by\nthe government of Macau, which was then still under Portuguese administration.\nThis space evokes the exotic world of the Far East, of China. It evokes a\nChinese pagoda framed by a series of low, undulating walls, which symbolise a\nChinese dragon. The garden has an open-air planetarium and a small amphitheatre\nwith excellent acoustics. It also has Portugal\u2019s largest armillary sphere which\nweighs in at half a tonne, donated by the Faculdade de Belas Artes of Lisbon\nUniversity to commemorate the 500th anniversary of the Portuguese discoveries\nand the universal nature of the Portuguese language and culture. All of these\nelements together make the Garden a unique place to visit. <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>According to Ant\u00f3nio Matias Coelho, \u201cCaima\u2019s support is crucial for the association. We have a fraternal relationship. It\u2019s not just a relationship between those who need help and those who give it. It\u2019s much more than that. It\u2019s a relationship that was established between the company and the association\u2019s board of directors.\u201d&nbsp; <\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[image format=\"img-header-large\" id=\"3189\"]\n<!-- \/wp:shortcode -->\n\n<!-- wp:shortcode -->\n[card title=\"Exhibition celebrates 130 years of Caima\" type=\"normal\"] Part of the research work undertaken by industrial archaeologists Jorge Cust\u00f3dio, Sofia Costa Macedo and Susana Pacheco, about Caima\u2019s 130- year history, resulted in the exhibition entitled 130 years of Caima \u2013 From Albergaria to Const\u00e2ncia \u2013 Portugal in the Paper Pulp Industry. The exhibition was held at the Cam\u00f5es House Museum from 16th November to 19th May.  [\/card]\n<!-- \/wp:shortcode -->","_en_post_name":"","_en_post_excerpt":"The warmth with which the population of Const\u00e2ncia regards the great Portuguese writer is tangible and genuine. The sixteenth century in which he lived is still very much in evidence in the collective identity of the borough. 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