CEO da Shell acredita que negócio das renováveis será tão rentável como o do petróleo

CEO da Shell acredita que negócio das renováveis será tão rentável como o do petróleo

O CEO da Shell, Ben van Beurden, considera que mudar o foco para as renováveis é uma estratégia que posiciona a empresa para ter "sucesso no futuro" pelo que lhe parece "sensata". Este líder acredita que pode "fazer tanto dinheiro, ou tão bom dinheiro, com uma cadeia de valor elétrica como com uma cadeia de petróleo e gás", pelo que vê aqui uma oportunidade.

Van Beurden falava na Web Summit, na intervenção “Uma nova etapa na energia”, no palco principal. A Shell, uma das gigantes da energia fóssil, tem comunicado um esforço para se reposicionar e entrar no mercado das energias limpas. Para este CEO, são precisas apenas “diferentes capacidades e diferentes investimentos” mas, para uma empresa focada no cliente, este “não é um grande problema, de todo”.

A questão passa a ser, então, como mudar a identidade da empresa, que é largamente associada aos combustíveis fósseis. Van Beurden defende que mais do que uma “companhia de matérias-primas”, a Shell é uma empresa “com foco no cliente”, pelo que responder ao apelo social faz parte da sua identidade. “Ao mudar a procura por energia, muda a cadeia de fornecimento”, diz, ao mesmo tempo que reconhece mérito à “demonização” dos combustíveis fósseis como motor da mudança.

Neste sentido, o CEO acredita que tem de dar provas, e dá como exemplo o programa de investimentos, que está a ser redirecionado para as energias renováveis – atualmente, os fundos que são dirigidos a esta área ascendem a um quarto do total, quando antes rondavam os 10%. “Agora temos de mostrar o que fazemos com esse dinheiro”, conclui.

Questionado sobre o papel dos governos, no que toca aos apoios e linhas guia que têm sido apresentados para promover a transição, o líder da petrolífera considera que “não têm sido suficientes”, mas assume que também deve partir das empresas a mensagem de que “estão ok” com a mudança, dando desta forma algum conforto aos governantes. Diz-se ainda confortável com a decisão do Reino Unido de proibir a venda de automóveis a diesel e a gasolina a partir de 2030, a qual apoiou.

BCG: “Empresas podem fazer muito mais do que pensam”

O CEO da Boston Consulting Group (BCG), Rich Lesser, partilhou também na Web Summit a perceção de que “as empresas podem fazer muito mais do que pensam” para promover a sustentabilidade através dos seus negócios.

O líder do grupo de estratégia e consultoria considera que, na generalidade, “o nível de compromisso aumentou” entre empresas no que toca às metas que impõem a si próprias. E acredita que a pandemia teve o condão de mostrar às empresas que é possível fazer diferente.

Neste contexto, a primeira mensagem que a BCG diz estar a passar às empresas é a de que a mudança “é urgente para todos os stakeholders” – além de ir ao encontro dos interesses de investidores e clientes, pode ser ainda um acelerador da atividade. Outra ideia chave é reconhecer que há trade-offs inerentes à escolha deste caminho e saber como lidar com os mesmos.