Vinhos do Alentejo na dianteira da sustentabilidade

Vinhos do Alentejo na dianteira da sustentabilidade

Embora uma certificação de sustentabilidade para os vinhos a nível nacional esteja agora a dar os primeiros passos, a região do Alentejo já prepara este caminho há largos anos. Lançou em 2020 uma certificação própria para a região e este mês chegam às prateleiras os primeiros vinhos com esta distinção.

A Herdade dos Grous foi o primeiro produtor a obter a garantia de produção sustentável que foi criada pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA). A herdade obteve-a ainda em dezembro de 2020, mas “durante o ano de 2021 é expectável que mais produtores se juntem à Herdade dos Grous nesta certificação”, adianta a comissão.

A certificação foi criada no passado agosto, com o objetivo de tornar visível o caminho que tem vindo a ser percorrido por muitos produtores da região desde 2015. “Temos um programa de sustentabilidade que estabelece boas práticas e metas, e quando essas são atingidas, o produtor pode aceder à certificação”, explica o presidente da CVRA, Francisco Mateus.

Entre os critérios que são exigidos para obter a distinção, a comissão destaca a implementação de práticas agrícolas que potenciam a proteção dos solos e a promoção da biodiversidade, o uso eficiente de energia e de água, o recurso a energias renováveis, assim como materiais mais sustentáveis na embalagem dos produtos e, por fim, iniciativas de responsabilidade social, que envolvem não só os colaboradores mas também a comunidade local.

A certificação é opcional, já que tem custos . Dependendo da dimensão dos produtores e do número de trabalhadores, o preço oscila entre os 900 e 1.500 euros a cada cinco anos. Mas também dá retorno, com os países estrangeiros a notarem um acréscimo entre os 5 e os 10% nas vendas. Ainda assim, “o principal é ter os produtores com boas práticas num nível desenvolvido”, diz Mateus. Por isso foi iniciado o Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA), em 2015.

O programa surge da preocupação de assegurar um futuro ao setor do vinho no Alentejo, num contexto de alterações climáticas que levam a aridez e a falta de água. E quer-se também estar à altura da competição lá fora. Este programa já conta com mais de 429 membros, que representam aproximadamente 40% da área de vinha plantada no Alentejo.

Através do programa, a CVRA aponta uma redução de até 30% do consumo de energia em vários produtores e de 20% no consumo de água. Promove também a economia circular, com 38% dos membros a converterem os resíduos orgânicos em adubo.

Questionado acerca do futuro da certificação regional, agora que uma nacional está à porta, Francisco Mateus defende que “as coisas que forem comuns justificam abordagens comuns” e o objetivo é que exista uma certificação sustentável de confiança, pelo que admite que os caminhos se cruzem e até que se confundam.