Amílcar Falcão: “Há muito por fazer para melhorar a nossa performance”

Amílcar Falcão: “Há muito por fazer para melhorar a nossa performance”

A Universidade de Coimbra (UC) encontra-se no top 100 mundial em nove dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Com uma pontuação total de 92.7 em 100, a UC foi a instituição com um melhor desempenho global em Portugal no cumprimento dos ODS das Nações Unidas, entre as 11 presentes no ranking.

A segunda é a Universidade Nova de Lisboa na 53.ª posição, seguindo-se depois Algarve, Aveiro, Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro (todas no “escalão” do 101.º ao 200.º lugar), o ISCTE (201.º ao 300.º), a Universidade Católica (301.º ao 400.º), as Universidades Aberta e da Beira Interior (ambas no “escalão” do 401.º ao 600.º lugar) e o Instituto Politécnico de Setúbal (601.º ao 800.º).

O reitor da UC diz ao Negócios que “estes resultados revelam sobretudo que a Universidade de Coimbra está a conseguir seguir o caminho definido no seu plano estratégico, implementando ações que contribuem para dar resposta aos problemas de todos/as e de cada um/a, contribuindo sem reservas para o desenvolvimento sustentável” e alerta: “O resultado obtido por nós neste ranking não deve ser sobrevalorizado ou entendido como um ponto de chegada, pois há muito por fazer para melhorar a nossa performance nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável fixados na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, mas é muito gratificante estar num lugar de destaque a nível mundial e ser reconhecido pelo trabalho que todos temos desenvolvido.”

A sustentabilidade é a resposta para o desafio das nossas vidas. (…) É um desafio coletivo e ninguém o deveria menosprezar ou relativizar, pois estamos a comprometer a existência das gerações futuras. Amílcar Falcão
Reitor da UC 

Amílcar Falcão frisa que “a sustentabilidade é, sem dúvida, a resposta para o desafio das nossas vidas. Não estivéssemos nós perante uma ameaça que compromete a nossa própria existência. É um desafio coletivo e ninguém o deveria menosprezar ou relativizar, pois estamos a comprometer a existência das gerações futuras. E perante tamanho desafio, só mesmo com o esforço de todos se pode fazer a diferença”.

O reitor da UC defende que “as instituições de ensino superior podem e devem liderar esta luta pela construção de um novo modelo de sociedade, que não comprometa o futuro. Como? Contribuindo para estes enormes desafios com a produção de conhecimento de elevada qualidade e com a partilha deste mesmo conhecimento com a sociedade”. Desta forma, salientando que “estamos conscientes de que apenas com o contributo de todos poderemos alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, anuncia que “a Universidade de Coimbra lançou no dia 22 de abril, Dia Mundial da Terra, a campanha ‘Salvar o Futuro’ (salvarofuturo.uc.pt), que tem como objetivo disponibilizar uma plataforma que mobilize e incentive a sociedade a pensar em soluções para a concretização dos 17 ODS, procurando garantir a todos uma participação cívica ativa”.

UC foi a 3.ª melhor do mundo no ODS Erradicar a Fome

Amílcar Falcão explica-nos que “para além do ranking global, a UC concorreu com projetos para todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o que não é obrigatório. Isto demonstra a nossa visão para com o próprio ranking: utilizá-lo como medidor do que estamos a fazer bem e do que ainda temos para melhorar”.

Relativamente aos projetos que foram considerados mais relevantes para a classificação da UC, “podemos dar exemplos dos três ODS em que a Universidade de Coimbra obteve uma melhor pontuação”: Para o ODS n.º2 – Erradicar a Fome -, no qual a Universidade de Coimbra foi considerada a 3.ª melhor do mundo, “contribuíram indicadores como a estratégia de combate ao desperdício alimentar da UC; a existência da refeição social, que corresponde a 74% das refeições que a UC serve, e que tem um custo de 2,4 euros, não existindo instituições de ensino superior com um valor igual ou inferior a este; a disponibilização de cabazes alimentares pelos Serviços da Ação Social da UC às repúblicas universitárias a preços acessíveis, que representou mais de 31 toneladas e de 7,5 mil litros de bens alimentares”.

O ensino superior deve liderar esta luta pela construção de um novo modelo de sociedade, que não comprometa o futuro. Amílcar Falcão
Reitor da UC

O reitor destaca ainda “projetos de investigação da UC e participação em consórcios que trabalham na pesquisa de soluções para o setor agroalimentar, como o Mobfood, projeto de investigação e desenvolvimento tecnológico que agrega vários agentes do setor agroalimentar com vista à promoção de uma indústria alimentar nacional mais competitiva ou o Reseed, que estuda o impacto socioeconómico e ecológico da disseminação na Europa de produtos alimentares vindos de outros continentes desde o século XVIII”.

Coimbra também bem classificada nos ODS 9 e 3

No desempenho em relação ao ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestruturas – em que a UC ocupa a 13.ª posição a nível mundial, o reitor afirma que “foi fundamental para este resultado o número de spin-offs criadas (121), o número de patentes ativas (304) e o trabalho desenvolvido pelo Instituto Pedro Nunes: instituição privada sem fins lucrativos criada pela UC, cuja incubadora apoiou 330 empresas, criou 2.600 postos de trabalho altamente qualificados e gerou uma média anual de 190 milhões de euros de volume de negócios”.

Já no trabalho face ao ODS 3 – Saúde de Qualidade – onde a instituição ocupa o 44.º lugar a nível mundial, Amílcar Falcão considera que “se destacaram projetos como o UC Transforma, uma plataforma de voluntariado da Universidade de Coimbra para todos, que pretende juntar Projetos e Ações de Voluntariado, onde se contabilizam já, desde o seu recente lançamento, 467 horas de voluntariado realizadas, 16 organizações registadas e 19 iniciativas realizadas; a disponibilização de alguns serviços de saúde de forma gratuita, como o apoio psicológico e psiquiátrico para os profissionais de saúde da linha da frente; e a colaboração com as entidades de saúde locais, nacionais e internacionais”.

O reitor da UC lembra que “quando se deu, recentemente, a crise em Lisboa e Vale do Tejo a propósito da pandemia, por exemplo, a Universidade de Coimbra avançou e colocou à disposição da ARS uma bolsa de 300 voluntários para fazer o rastreamento das cadeias de transmissão”, defendendo que “esta situação representa o que temos de mais importante: comunidade unida, estudantes mobilizados, associação académica que trabalha em parceria com a universidade, voluntariado muito ativo. Pessoas que vivem, estudam e crescem neste ecossistema. Milhares de jovens que levam para a vida estes valores e que, esperançosamente, vão mudar o futuro do planeta”.

Quatro universidades australianas no top 10  O The Times Higher Education Impact Rankings 2021 é liderado pela Universidade de Manchester, com 98.8, seguida de três universidades australianas: Sidney (97.9), RMIT (97.8) e La Trobe (97.3). Na quinta posição está a universidade de Queen’s do Canadá (97), no sexto lugar ex-eaquo situam-se as universidades dinamarquesa de Aalborg e australiana de Wollongong (com 96.1), seguindo-se a irlandesa College Cork (96) na oitava posição e no nono lugar ex-eaquo a Universidade estatal do Arizona (Tempe) e a Universidade de Auckland (com 95.8).

Esta é a terceira edição do ranking que tem como objetivo medir o sucesso global das universidades no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. No total, o The Times Higher Education Impact Rankings contabiliza 18 rankings: um ranking por ODS e um ranking global.

Para estes rankings é analisada a forma como a investigação, o ensino e a gestão das instituições contribuem para o alcance dos ODS definidos pelas Nações Unidas, sendo o único instrumento mundial de avaliação destes compromissos.