É uma disfunção não haver mais mulheres na liderança

É uma disfunção não haver mais mulheres na liderança

As empresas que têm mais diversidade, como mais mulheres, mais multiculturais, mais pessoas com deficiência, acabam por ter uma performance, incluindo financeira, melhor do que as empresas que não têm essa realidade. "Não é só ao nível da cultura interna e do ambiente organizacional, de igualdade de género, mas é também ao nível de indicadores mais ligados ao negócio, por isso é um contrassenso não promoverem essa diversidade", conclui Margarida Couto. Citou estudos que apontam que por cada 10% de crescimento da diversidade há um impacto de 2 a 4% no crescimento dos lucros.

Outro tema focado por Margarida Couto é a diversidade no mercado de trabalho e a integração de pessoas com deficiência e quem é que não gostaria de ter tido nas suas empresas e nas suas organizações pessoas como Beethoven, Helen Keller, Stevie Wonder, Roosevelt ou Stephen Hawking. “As suas incapacidades em nada os incapacitaram para fazer tudo o que queriam ter feito, e a prática demonstra, pelo testemunho das empresas que empregam pessoas com deficiência, que é bom para a organização porque passa a ver as coisas de outra maneira, e as pessoas que se empregam ganham dignidade. A integração de pessoas com deficiência torna as organizações mais fortes e resilientes”, afirmou Margarida Couto.

O gap dos salários

Margarida Couto preferia que se tivesse feito o caminho mais correto de autorregulação nas várias formas de fomentar a diversidade, mas confessa que, muitas vezes, é necessária “a alavanca mais forte como a lei”. “A verdade é que a lei das quotas é um mal necessário, porque é uma alavanca para que fique de uma vez por todas demonstrado que as mulheres têm tantas aptidões e competências para estar sentadas num conselho de administração e na direção de organização como os homens”, diz Margarida Couto.

“A estatística em Portugal mostra que hoje as mulheres até são mais qualificadas que os homens, com mais doutoramentos, mestrados. De facto é uma disfunção haver tão poucas mulheres na liderança das organizações”. Como diz Margarida Couto, esta discriminação alarga-se à remuneração, criando o chamado “gender pay gap”, que ainda é mais difícil de compreender porque “há mais qualificação das mulheres. É um tema que a sociedade tem de tratar e que está assente em enviesamentos inconscientes, que também não se vencem de um dia para o outro”. Segundo a OCDE, com base em dados de 2017, as mulheres ganham em média menos 14,3% que os homens para o mesmo tipo de trabalho a tempo completo, um fosso que no conjunto da OCDE é menos pronunciado, cerca de 13,6%.

O Grace é uma associação que pretende promover uma associação de empresas responsáveis e sustentáveis e criar um ecossistema para que seja mais fácil cumprir a agenda 20|30 das Nações Unidas, com 180 associadas. “A igualdade e a diversidade ainda são temas porque constam direta ou indiretamente de três dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS): igualdade de acesso, trabalho digno e crescimento económico e redução das desigualdades”, concluiu Margarida Couto.

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