A revolução do teletrabalho nas cidades

A revolução do teletrabalho nas cidades

"A realidade do teletrabalho veio para ficar e o que estamos a ver, em termos de planeamento das cidades e do imobiliário, é que está pensar em como vai ser o dia seguinte ao regresso da normalidade", alertou Nuno Lacasta.

O teletrabalho tem expressão económica e de emissões. Como medida de gestão tem impacto na mobilidade, emissões, poluição, e até no rendimento adicional dos trabalhadores. “Significa que os centros urbanos, que foram historicamente desenhados para edifícios de escritórios, vão ter de ser redesenhados para novos usos, como os habitacionais. Estamos a verificar uma tendência de redesenhar centros urbanos e zonas de escritórios para voltarem a ter populações e esse movimento parece muito persuasivo e muito evidente face ao que temos hoje”, considerou Nuno Lacasta.

Work from Portugal

“O teletrabalho vai exigir uma redefinição do tecido urbano”, concorda Miguel Eiras Antunes, partner da Deloitte. Este especialista vê no teletrabalho uma possibilidade única para atrair à escala global talento muito qualificado que passe a trabalhar de Portugal para o mundo. “Portugal pode ser o ‘work from Portugal’ porque as Google e os Facebook, e etc. já não obrigam as pessoas a trabalhar no seu país de origem, os Estados Unidos, as pessoas podem vir para Portugal trabalhar para essas empresas, criar riqueza em Portugal e depois até se basear em Portugal”, defende Miguel Eiras Antunes.

Acrescenta ainda que esta lógica de “work from Portugal” é uma oportunidade única os jovens que muitas vezes não arranjam emprego em Portugal e que desta forma podem continuar a viver junto às suas famílias e fazer uma carreira internacional, podem estar baseados em Portugal mas trabalham para a Google dos Estados Unidos”.